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Cresce o número de Radialistas vítimas do Covid-19

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Nossa equipe tem recebido diariamente notícias de internações, falecimentos e muitos pedidos de oração e energias positivas pelos trabalhadores de Rádio e Televisão contaminados pelo vírus da Covid-19. Parte de nós e de nossas próprias famílias também enfrentam esta luta. Pela primeira vez na história do SinRadTv-RJ, não somos capazes de emitir uma homenagem pessoal para cada radialista que nos deixa.

Um caminho difícil

Nosso país vem trilhando um caminho difícil nesta pandemia. Sem uma liderança responsável e capaz de ouvir à ciência e aos especialistas, a saúde pública e o mercado de trabalho vêm sofrendo ainda mais para se adaptar à dura realidade que chegou com força a partir do mês de março. Foi naquele dia 30 que noticiamos o primeiro falecimento dentro da nossa categoria. O incrível Lauro Freitas Filho, assessor de imprensa do SinRadTv-RJ por muitos anos.

Foi no mesmo período que ficamos estarrecidos com as denúncias de trabalhadores como José Augusto Nascimento Silva (o “Naná”, editor de VT no SBT). Corajosamente, deflagravam a negligência de empresas que se negaram a proteger seus funcionários. No dia 13 de abril, Naná faleceu. Dia 22, faleceu seu colega Robson Thiago Mesquita (o “Tio Chico”), cinegrafista. Cerca de 30 trabalhadores do SBT foram internados, muitos em estado grave.

A essa altura, o vírus já estava em várias empresas. No mesmo dia, já havia 90 casos confirmados de coronavírus na Globo. Naquela semana, choramos também a morte de Luiz Alberto de Oliveira da Silva, diretor de fotografia na Roquette Pinto.

Denúncias também confirmam atitudes semelhantes à do SBT ocorrendo na Record, Rede Tv e muitas outras desde o início de abril. Enquanto boa parte dos estúdios no Projac já estava em isolamento, funcionários descobriram que alguns chefes não informavam sobre colegas confirmados com o vírus. O objetivo seria manter o resto da equipe trabalhando sem saberem do risco. Na EBC, o programa Sem Censura já teve dois radialistas internados em estado grave, e até hoje a direção mantém a equipe trabalhando ao vivo, sem testes.

Perda sobre perda

O mês de maio, mês dos trabalhadores, poderá ser ainda mais duro do que foi abril. A primeira semana já começou com o falecimento do amigo Roni, operador de câmera na Bandeirantes. “Não tenho palavras, parte um amigo muito querido, Roni, um cara leve de alma, sorriso solto… Um dedicado e responsável profissional, quantas lembranças boas”, lamenta Nestor Leitão, colega na Bandeirantes e dirigente do SinRadTv-RJ. No mesmo dia, a empresa anunciou a demissão de vários funcionários.

Dia 5, outros grandes profissionais foram embora. O assistente de operações Guilherme Alves da Costa (“Guigui”), funcionário mais antigo com 60 anos no Sistema Globo de Rádio, deixou um filho e dois netos. Partiu também Cinésio Bastos (“Cici”), operador de audio com mais de 20 anos na Rádio TUPI. Marcio Garçone, que tinha agendado visita ao sindicato para renovar seu título de sócio como autônomo, também teve a vida interrompida pelo vírus. Deixou uma filha especial, uma família linda e inúmeros amigos. Entre eles, Andrea Bussolo (FM 105), nossa queridíssima dirigente do SinRadTv-RJ e da FITERT, que também enfrenta o coronavírus neste exato momento – felizmente em casa, isolada e em recuperação. “Meus amigos todos em perigo! Isso tem de acabar!”, desabafa a radialista.

No dia seguinte, mais duas perdas no Projac… “Muito triste, mais dois colegas: um contra regra, montagem e um contra regra de cena que descansam em paz”, lamenta o colega e dirigente so SinRadTv-RJ Severino Ramos (Raminho). Ainda em 07/04 choramos a partida da ilustre Daisy Lúcidi (Rádio Nacional, EBC, TV Globo).

Estes são apenas alguns dos casos. Infelizmente não temos acesso às informações de todos. Mas estamos à disposição para prestar toda e qualquer ajuda possível a cada um e suas famílias – principalmente, continuar lutando para garantir o direito à saúde e à prevenção para todos.

Nenhuma compensação será capaz de pagar o preço do tempo que tantas empresas e governantes demoraram (e em alguns casos ainda demoram) a priorizar a vida. Infelizmente, mesmo entre aqueles que vêm se prevenindo desde o início, ninguém é imune. Perdemos grandes amigos, não sabemos o que vem pela frente. Mesmo abalados, ainda precisamos continuar nessa batalha, a todo custo e a todo tempo, para preservar o que há de mais valor para cada um de nós. É um desafio imenso, penoso e revoltante. Mas, infelizmente, é a dura realidade.

 

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Para os que lutam

Mais do que tudo desejamos, com todas as forças e com todo o coração, a recuperação total e mais rápida possível daqueles que enfrentam o Covid neste momento. Jimmy Raw (98FM, Rádio TUPI e TV Globo), que está internado na Tijuca; André Gasparetty (FM o Dia, 94FM, RPC FM e Beat 98), na Ilha; o operador Janir (TV Globo) em São Cristóvão; o operador de VT “TC” e o coordenador de edição Damião (EBC); a repórter Andrea Bussolo (FM 105). Tantos e tantos que ainda não fomos informados. Saibam que, mesmo à distância, estamos juntos em pensamento e ação no combate ao coronavírus.

Novamente, sabemos que estes são apenas alguns nomes entre tantos que gostaríamos de citar. Infelizmente, o número continua crescendo. Essa doença se espalha mais rápido que a própria informação, e nós, trabalhadores da comunicação, estamos na linha de frente dessa luta. Não existe homenagem que esteja à altura dos profissionais que arriscam suas vidas diariamente para ajudar a toda a população. Povos do mundo inteiro encaram hoje o maior desafio da sua geração.

Diante da pandemia, estamos dando tudo o que temos. Conseguiremos, juntos, passar por tudo isso. E a memória de cada um e cada uma que sofrem neste momento será sempre uma fonte de força e coragem para seguir caminhando, trabalhando e construindo o mundo que, mais do que nunca, precisamos com urgência. Um mundo de direitos onde a vida esteja além do lucro. Um mundo em que a luta de cada um de nós não seja em vão.

Uma Mensagem de Força

Para os Que Virão
(Thiago de Mello)

“Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular – foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
– muito mais sofridamente –
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.”

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