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O novembro negro e os meios de comunicação no Brasil

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Vamos falar só mais um pouquinho de justiça? Esta matéria é um compilado de duas reportagens feitas no novembro negro, que começa em 2015 e vai até 2017, nas palavras de Alex Hercog. Você que está lendo pode ir além, basta olhar para a tela da sua TV e comparar o que mudou. O próximo passo cabe a cada um de nós. E olhar para trás é a melhor forma de andar para frente…

O Sol nasceu, pra outro cara

“Em uma entrevista, Cartola afirmou que uma de suas principais canções, “O sol nascerá”, foi gravada sem que ele soubesse, pois um atravessador havia vendido a composição. Ela, então, foi trabalhada por mais de 25 artistas. Cartola, cujo avô foi escravizado, morreu como nasceu: pobre.O sambista carioca era torcedor do Fluminense. Dois anos antes de Cartola escolher o tricolor como time do coração, um episódio marcou a história do clube: o jogador Carlos Alberto foi provocado pela torcida do América, que o chamou de “pó de arroz”. Negro, o atacante tricolor sempre passava pó no rosto antes das partidas para dar uma esbranquiçada. Até hoje, o time adota o pó de arroz como símbolo.

Passado quase um século, ainda tem gente no Brasil que se pinta para mudar a cor da pele. É o caso dos atores da emissora da Igreja Universal. Na novela de sucesso “Os Dez Mandamentos”, boa parte da história se passa no norte da África e os personagens não são majoritariamente brancos. Os atores, contudo, são. Em vez de contratar atores afrodescendentes, a escolha da Record foi de dar os principais papéis para atores brancos, que são tornados “morenos” com quilos de maquiagem…”

 

Muito além do cidadão Waack

Nós já comentamos o episódio de racismo do radialista e jornalista William Waack, que deu o que falar dentro e fora da web há alguns dias. Esta não é outra matéria sobre isso. Mas tem tudo a ver com uma mídia “chapa branca”.

“A exemplo do principal produto da Globo, as novelas, menos de 1/5 dos papéis vão para atrizes ou atores negros. Sempre foi assim e continua sendo. Na sua mais nova produção, “O outro lado do paraíso”, dos 36 personagens do núcleo principal, apenas três são negros. O diretor afirmou que a novela “irá tratar de temas polêmicos”, a exemplo do próprio racismo. Mas fará isso sem atores negros.

Em artigo publicado no portal Séries por Elas, a autora Carolina Maria faz uma análise e revela que apenas 15% das novelas produzidas pela Globo contam com protagonistas negros e negras. Das 290 realizadas, apenas duas tiveram uma mulher negra protagonizando.

Além dessa invisibilidade, a população negra costuma ser representada, recorrentemente, de forma pejorativa. Historicamente, os humorísticos da Globo sempre foram alvos de denúncias por utilizarem personagens negros para reforçar estereótipos racistas: a “nêga maluca” feia, desdentada e ignorante; o nordestino preguiçoso e subalterno. Além da objetificação do corpo feminino e suas “mulatas Globeleza” que vendem o corpo da mulher negra para “gringo ver” no carnaval. Isso em um país que é o 2º no mundo em turismo sexual, e que estupra uma mulher a cada 11 minutos.

Antes fosse exclusividade da Globo ou do mundo fictício das novelas. Não apenas na produção televisiva do eixo sudeste (repetida em todo Brasil) como também dentro das redes de afiliadas em cada estado, a tradição das emissoras é priorizar âncoras e apresentadores brancos. O mesmo acontece com os repórteres. E também com as fontes entrevistadas nas reportagens, para apresentar alguma opinião científica ou acadêmica. Ou seja, toda a formação da credibilidade da notícia repercute e ecoa o racismo que nós, míopes e acostumados a isso, só enxergamos nos comentários mais infames como “é coisa de preto” seguidos de xingamentos.”

Mas o que fazer sobre isso?

Quem dera fosse possível escrever. Não existe tabela de atitude certa e errada para lidar com questões tão profundas do nosso povo como o racismo. Mas uma regra de ouro é a escuta. Ouvir o outro é fundamental para saber refletir sobre a nossa postura no mundo. Por isso, vamos terminar ouvindo a fala intrigante de uma mulher negra que sabe o que é trabalhar na maior emissora do Brasil. Uma voz que vive na pele da exceção que confirma a regra.

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